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30/07/2004 15:02

enviada por Recluso
21/07/2004 17:29

enviada por Recluso
18/07/2004 12:05

enviada por Recluso
01/05/2004 18:00
Ei gente, este blog mudou de endereço.
enviada por Recluso
23/04/2004 16:02
O Epitáfio De Um Vivo
Lá se iam os meus dezesseis anos, embalados na imoral garoa paulistana, ao pé de um ou outro bêbado a esperar o delírio da tuberculose.Era o fim certo para os corações que sabiam viver!Quão tola pode ser ver a vida queimar lentamente, quando se tem a chance do fogo intenso...
Tão quente quanto o inferno, tão ardente era o seio dela!De quem?Ora...da virgem...da virgem...da virgem;daquela a quem dedico este copo de vinho.
-Mas quem?Perguntaram-me.
Uma santa demoníaca!O canto sublime que a morte entoa, com o nome de Maria, Maria Eduarda Cândido Neves...Este será o nome escrito em meu epitáfio, pois não vivi por mim, vivi por ela.
Na plenitude de um céu nublado, ela fez-me ver estrelas.Conheci-a numa festa de um político, acho até que era o pai dela.Os cabelos lhe teciam um belo rosto, olhos errantes, lábios boêmios e corpo lânguido, com o porte mais tênue e belo que já vi.
Fui ter com ela.Tínhamos a mesma idade e os mesmos interesses, até a mesma ironia nos assemelhava!...
Fomos para o lado de fora do salão, talvez conversar mais tranquilamente, talvez desvirginarmos o coração.O reflexo da alma ante a saída do salão foi um só: os nossos lábios se tornaram ímãs opostos e se atraíram.É minha!-Exclamei.Ela estava em meus braços, totalmente idefesa contra o amor ou a minha vontade.Empalidecera, sua pele ficara lívida e prateada como a lua, seus olhos semiscerramram-se, suas palpebrás encerraram o espetáculo do amor, seu corpo adormeceu...
Desmaíara pelo aperto forte de meu abraço, pensei.Sacudi-a, chamei-a, não acordava.Bradei por ajuda e logo o lugar estava infestado de curiosos abomináveis, cheios de gozo pela desgraça alheia.
Deixei-a lá, nos braços do médico, e fui ter com as estrelas.Adormeci ao som do meu choro por ela.
-Morreu?Murmurraram.
-Não sei, nunca mais a vi em minha vida, nutrida apenas da saudade dela.-Respondi.
-Mas por quê?Não tinhas nesse amor a chance da felicidade?Por que não foste saber o que acontecera com ela?
-Porque, olhando profundamente nos olhos da aflição, do amor perdido, não lhes parecem mais afáveis que os da felicidade?Ao menos, admitam, são mais heróicos.
Willian A. Martins
enviada por Recluso
19/03/2004 20:03
As Voltas Que O Mundo Anda Dando
Até a alguns dias atrás o mundo estava calmo, monótono e esdrúxulo.As pessoas viviam em suas casas marmóreas, iam do trabalho para mais outro trabalho e vice-versa, riam de piadas sem graça, ainda eram racistas e contra a natureza, mas eram tranqüilas.
De repente, bem mais que de repente, um avião arrebentou os gêmeos e o mundo correu, correu como corre um leão ante a funesta fúria humana.Parecia que tudo era de plástico; as pessoas não tinham mais expressões, tinham impressões, e toda a tolice de séculos fora impressa na alma da humanidade atual.
Vimos a vingança como ela é: fria e sem caráter.Mata sem piedade e tem os olhos mais amigáveis que uma cascavel poderia ter.Iraque, Afeganistão...Vidas e vidas na lixeira da natureza.E não pensem que a natureza é má, ela é vítima.Tenta reciclar o mundo com seus desastres e acidentes, mas somos como as baratas: ela nunca consegue se livrar de nós.
A história humana é realmente um dramaturgo irônico.Derrotou Napoleão, fez Roma cair, fez as Torres caírem, o trem descarrilar, a bomba explodir e o homem ainda ser.Mas ser ou não ser?Já somos.Nascemos para destruir o que poderíamos ter sido.E neste mundo globalizado?Mais parece que se ficou sabendo que a Terra era redonda ontem, quando D.Maria cochichou e espalhou pra toda vizinhança.
A questão é: A Terra Sempre Foi Redonda.Não foi apenas porque os humanos egocêntricos disseram: "Voilá, a terra vai ser redonda!".E nem o sol, nem as estrelas, nem o universo.Todos sempre estiveram lá; nós não.Nós somos a novidade, a obra mais complexa do universo.Mas temos de lembrar-nos de que novidades cansam.E o drama humano é o mais cansativo dos livros.Eu mesmo ia abordar a questão tempo-homo sapiens e acabei por criticar a humanidade.
Vejam só: creio que não somos nós que estamos mais rápidos e bem informados;é a Terra, que temendo o que podemos fazer ao universo, vem correndo na velocidade da luz para ser engolida logo pelo sol e quem sabe, corrigir a "barata humana".
Willian A. Martins, um dos Intocáveis.
enviada por Recluso
06/03/2004 21:05
O Fanal Prateado
Quero ser-te o mar que a areia beija
Na subida da maré em noite lívida,
Quando a lua tão prateada e vívida
Deita-se para espelhar-se que seja...
E toca na epiderme marinha a face,
Fulgurando em fogo branco e azul
As bátegas nuas das lágrimas que tu
Deixaste cair no furor destenlace.
Ao chegar do fanal neural da manhã,
Esta mesma lua, vergôntea de paixão,
Cora coa chegada do amante solar;
E no espelho da noite, veste-se de vã
Tanto ela quanto a amásia do coração,
Enquanto o poeta as tenta desvendar.
enviada por Recluso
23/02/2004 20:43
Pastoreio Onírico
Daquele pasto onde contava ovelhas
Pra ver se talvez a vida sossegasse,
Encontrei em meio às lívidas a vil face
De algo escondido por entre orelhas:
De disfarce, é ti, de disfarce?
Procurei pular a cerca dos pensares
E adentrar aquele vigiar do urubu
Tendo a certeza da constelação azul
Que lançava fulgidos brilhos pares,
Sombra bela serias tu?
Sai da muralha de coisas brancas,
Opacas e agora sem mais proteção
Dos lobos que a noite vem, do cão
Ladrando alto em palavras francas:
Ai meu coração, meu coração!
De repente nos pastos encardidos
Deparei-me ao coração enfadonho,
E seus batimentos que onde ponho
Ali ficam, como que agora batidos,
Pela figura em meu sonho...
enviada por Recluso
01/02/2004 11:42
À Cotovia Desta Dialética
O manto da noite encerra a traça das manhas;
Pergunto-me - será dia, ou é o arauto surdo,
A quem vem falar-me que não passa por urdo
Este tom de claro cinzento com perfume de avelã?
Ah, pois se o fordes, diz-voz que daqui não saio.
Desta várzea encantada não arredo os pés,
Sendo eles tão pesados neste adeus, feito as marés;
Os olhos me caem sobre os ombros como raios
Escorregam por dentre a coroa viçosa da nuvem.
A fim de fugir de seu canto, da cama tão branca
Que a nuvem tão perpetua e esvoaçante oferece.
Ah, senhor eterno, dono de todo raio de luz: vem,
Ao encontro desta cotovia e a claridade espanca;
Pois devendo estou a alma à dona desta prece.
enviada por Recluso
30/01/2004 12:08

Loquaz Silêncio
Súbito e refugio e também prisão...
Delineando a passagem obscura
Por luz enferma e mente escura
Limitando os suspiros ao coração:
A alma, algoz de sua própria canção,
Entoa em furor aonde vai a brandura;
E por tão pequenina, esta armadura,
Desse tanto calar, imprópria razão.
Sem desígnio, eu sei que estou calado,
Nesta noite pálida e vario raio,
Facha de espírito, parte de brado;
Oh vida dura!Ah dialética a soslaio!
Entre a ida e a volta, o inesperado:
Meu coração engoliu um papagaio!
enviada por Recluso
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