Recluso In The Dark








.:Nome - Romeu
.:Idade - 15 Anos
.:Signo - Capricornio
.:Ascendente - Sei l�
.:M�sica - Rock, Pop-Rock, New Metal!
.:Cinema - A��o, com�dia rom�ntica
.:TV - S�ries e Anime!
.:Estado civil - Procurado
.:Hobby - Azul(ui!)
.:Mania - Copiar As Manias Dos outros
.:S�ries - Smallville, 24 hours, Friends e etc
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23/04/2004 16:02
O Epitáfio De Um Vivo

Lá se iam os meus dezesseis anos, embalados na imoral garoa paulistana, ao pé de um ou outro bêbado a esperar o delírio da tuberculose.Era o fim certo para os corações que sabiam viver!Quão tola pode ser ver a vida queimar lentamente, quando se tem a chance do fogo intenso...
Tão quente quanto o inferno, tão ardente era o seio dela!De quem?Ora...da virgem...da virgem...da virgem;daquela a quem dedico este copo de vinho.
-Mas quem?Perguntaram-me.
Uma santa demoníaca!O canto sublime que a morte entoa, com o nome de Maria, Maria Eduarda Cândido Neves...Este será o nome escrito em meu epitáfio, pois não vivi por mim, vivi por ela.
Na plenitude de um céu nublado, ela fez-me ver estrelas.Conheci-a numa festa de um político, acho até que era o pai dela.Os cabelos lhe teciam um belo rosto, olhos errantes, lábios boêmios e corpo lânguido, com o porte mais tênue e belo que já vi.
Fui ter com ela.Tínhamos a mesma idade e os mesmos interesses, até a mesma ironia nos assemelhava!...
Fomos para o lado de fora do salão, talvez conversar mais tranquilamente, talvez desvirginarmos o coração.O reflexo da alma ante a saída do salão foi um só: os nossos lábios se tornaram ímãs opostos e se atraíram.É minha!-Exclamei.Ela estava em meus braços, totalmente idefesa contra o amor ou a minha vontade.Empalidecera, sua pele ficara lívida e prateada como a lua, seus olhos semiscerramram-se, suas palpebrás encerraram o espetáculo do amor, seu corpo adormeceu...
Desmaíara pelo aperto forte de meu abraço, pensei.Sacudi-a, chamei-a, não acordava.Bradei por ajuda e logo o lugar estava infestado de curiosos abomináveis, cheios de gozo pela desgraça alheia.
Deixei-a lá, nos braços do médico, e fui ter com as estrelas.Adormeci ao som do meu choro por ela.
-Morreu?Murmurraram.
-Não sei, nunca mais a vi em minha vida, nutrida apenas da saudade dela.-Respondi.
-Mas por quê?Não tinhas nesse amor a chance da felicidade?Por que não foste saber o que acontecera com ela?
-Porque, olhando profundamente nos olhos da aflição, do amor perdido, não lhes parecem mais afáveis que os da felicidade?Ao menos, admitam, são mais heróicos.

Willian A. Martins
enviada por Recluso






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